Conjunto Etnográfico de Moldes apresentou o 5º Encontro de Vozes

Evento decorreu no passado dia 13 de novembro na Igreja Paroquial de Moldes e homenageou a riqueza do “Cancioneiro de Arouca”

Os protagonistas foram as vozes da comunidade,(através de grupos arouquenses de caráter associativo e grupos informais de mulheres que tiveram no cantar uma das vivências do seu quotidiano), personificadas pelo ́ ; e; ̧ ; (Moldes); ; ́ (Moldes); e (S. Pedro do Sul).

As principais razões apontadas pelo CEM para a criação do evento foram, “a necessidade de se divulgar o canto popular polifónico como uma das mais nobres manifestações da cultura popular, alertar e sensibilizar a comunidade para a riqueza da polifonia tradicional, mostrar que o Cancioneiro de Arouca ainda permanece vivo e disperso pelas aldeias do concelho, estando guardado sobretudo entre as mulheres, e contribuir para a diversificação da oferta cultural na freguesia de Moldes”.

Primórdios dos Grupos Informais de Mulheres

Após terem amavelmente aceite responder a algumas questões colocadas pelo DD, o CEM adiantou que durante o século XX “cantar era algo natural”, quase como uma vivência do quotidiano, pelo que “deveria haver muitas pessoas a botar cantas”. Mais acrescentaram que o cancioneiro de Arouca o comprova “quer pelo número de cantas recolhidas bem pela variedade de locais/freguesias de recolha.”

Estes Grupos informais de mulheres “conforme comprova a recolha de Vergílio Pereira para o Cancioneiro de Arouca”, estavam espalhados um pouco por todo o concelho, uma vez que era normal cantarem durante os trabalhos do campo, “fosse a malha do centeio, os linhares, as ceifas ou as desfolhadas”.

A essência deste encontro foi “trazer à cena todas e todos os que ainda sabem o canto polifónico”, salientando que, este ano, o facto de terem presentes um maior número de grupos informais foi “o elemento diferenciador “, deste encontro de vozes. Inclusive para o grupo “Cantadeiras de Fuste” esta foi uma “estreia absoluta”.

A importância central deste tipo de encontros para o CEM é que estes grupos se têm “imposto a cada edição pela simplicidade”, mostrando que a as comunidades locais são as “verdadeiras guardiãs deste património que é o canto popular polifónico”.

O 5º Encontro de Vozes permitiu que as vozes femininas dessem a conhecer “histórias, vivências e saberes da arte da fala que as suas aldeias ainda guardam”.

A importância da preservação do Canto Polifónico

O CEM reiterou ainda que este canto é dos mais belos e significativos que existem, de modo que é extremamente importante a sua preservação. “É urgente e necessário guardar-se essa memória, seja através da passagem de testemunho às gerações mais novas, seja por via da gravação”, acrescentando que “esta é uma herança que queremos preservada e o Encontro de Vozes é um pequeno contributo para essa preservação, não só porque incentiva pessoas que não cantavam há vários anos a fazê-lo novamente, mas também porque permite que essas pessoas mais velhas o transmitam a outras mais novas.”

No que toca à candidatura a Património da Humanidade “a candidatura continua a ser trabalhada pela recém-criada associação “Fala de Mulheres”, da qual o Conjunto Etnográfico de Moldes faz parte.

O evento teve bastante afluência uma vez que a Igreja de Moldes estava “preenchida”, o que deixou o Conjunto muito satisfeito, “fazendo também nota que há cada vez mais pessoas sensibilizadas para a importância deste costume”, afirmaram.

Relativamente a eventos mais próximos têm já agendadas apresentações corais nos meses de dezembro e janeiro,nomeadamente em eventos relacionados com o Natal e com os Reis. Na parte das danças, a atividade é um pouco mais reduzida neste período do ano. Os meses de outono e inverno são, por norma, a ‘época baixa’, digamos assim, sendo a atividade mais intensa nos meses de verão.”

Texto: Ana Castro

Fotos: Carlos Pinho

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